domingo, 26 de dezembro de 2010

Sobre o que nos une

Há algo que liga a todos nós. Une os mineiros do El Alto boliviano aos engenheiros holandeses. Essa coisa atravessa os predios de São Paulo, as plantações em solo chinês, o batuque de uma tribo no Xingu, o terreiro de candomblé. A plenitude sufoca qualquer grito, valoriza a pequenez de uma formiga, nos despedaça em fragmentos de tudo aquilo que nos escapa, sinto-a presente na minha água, no manto do velho a pedir esmolas, nos olhos que leêm cansados estas letras. Esse vazio - pois é vazio o que é tudo -  está nas letras: está na falta delas.

Corram todos para suas casas, suas ocas, cavernas, se escondam no suor da chuva: só a morte nos impede de estarmos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Seu presente um pouco atrasado

Quando minha mae me engendrou já vi logo que era o amor quem regia o mundo. O respirar dela era em si algo que me agradava. Mamae brigava quando eu vinha com o pé sujo da rua e eu achava graca de nao poder tira-lo para entrar em casa. Hoje sujo os pés pelo mundo só pra ver ela zangada me querendo limpo e em casa. Podem tentar Mandelas ou Dalai Lamas: so mamae sabe ser paz. Uma paz que enfrenta erguida o mundo, seus tapas e miudezas. Ah mulher, nada sabem os fisicos ou astronomos: é voce quem sustenta o existir. Daqui onde estou ainda te sinto respirar...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

24 de Dezembro: Feliz Natal

A cada dia histórias completamente diferentes. Hoje, ainda de manha, estávamos a ver o azul marcante do Titicaca e o desenho que o barco deixava na superfície lisa da água. Apesar do sol, o frio nos abrigava sob os casacos. Havíamos dormido na casa de uma família em uma ilha deste que é o mais alto lago navegável do mundo. Tudo aqui é muito diferente. Diferente do que fizemos no Brasil, o povo é predominantemente - para nao dizer completamente - indígena. A terra é dividida por todos e nos únicos lugares que passamos e percebíamos grandes extensoes cultivadas a organizacao se dava por cooperativas. Há uma recompensa: nao tivemos imprevistos com ladroes e, na ilha que dormimos, nao havia policiais nem prefeitos - a comunidade se reúne todos os domingos para discutir as tarefas. Machu Picchu é algo inacreditável de modo que nem me atreverei a descrever a milésima parte de tudo aquilo, tentarei expressar pelas imagens que postarei depois

Quanto ao lado turista, somos a grande festa. Todos adoram os brasileiros e confesso que damos bastantes motivos para reforcar os esteriótipos. Cantamos, conversamos com todos e rimos a todo tempo: excecao até entre os próprios peruanos, um pouco mais fechados que nós aí da terrinha. Hoje mesmo todos bateram palmas e cantaram enquanto eu tocava gaita no barco que nos trazia de volta a Puno - a cidade peruana na beira do Titicaca, onde passaremos o natal. Afinal o natal! Enquanto atravessávamos o lago e eu via a beleza imensurável da paisagem, lembrei de todos que estao aí do outro lado do imenso lago de terra que nos separa. Amamos voces, e sim, há saudade. Feliz natal a todos e um abraco imenso.

PS: O teclado espanhol nos impoe limitacoes na acentuacao e grafia. aheuaheauhueau, todos estamos muito bem e contentes.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

19 de Dezembro: aproveitando as 24 horas.

Pegamos nosso primeiro avião aproximadamente à meia noite do dia 19. Passamos o dia inteiro em conexões sem fim de modo que pouco ou quase nada foi possível dormir nos duros bancos dos aeroportos ou nas apertadas poltronas dos aviões. Chegamos enfim a Cuzco, almoçamos e fomos ao albergue. A cidade é bastante pequena e habitada por um povo humilde que vive praticamente às custas do intenso turismo da região. A cidade, à parte o centro, é marcada pela cor cinza de prédios ainda no reboco, encontram-se casas cuja a simplicidade nos faz duvidar de haver ali habitantes.

O Albergue é uma realidade completamente diferente da vivida pela cidade: seus hóspedes são australianos, americanos, ingleses...Em duas horas que passamos aqui, eu e Thiago estávamos a tocar violão e cantar com dois ingleses, e uma colombiana. No jantar conhecemos os brasileiros: figuras absolutamente maravilhosas. Mineiro, carioca, dois paraibanos e um amazonense. Juntos à colombiana que virou nossa grande amiga passamos a noite inteira nos pubs de Cuzco cantando todos os sambas e onde íamos juntávamos muitas pessoas a dançar e contar histórias. Voltamos à 1 hora da manhã em horário local, que é três horas atrasado em relação ao de Brasília. Agora são quase oito da manhã aqui e já estou de pé, esperando meu café da manhã e pensando num presente pro Ivens, que faz aniversário hoje.

sábado, 18 de dezembro de 2010

18 de Dezembro: Malas Prontas.

Olhando do mapa o roteiro é simples: Peru, Bolívia, Argentina, Uruguai. Dias, teremos 23. A verdade é que a pequenez do mundo mapa nenhum consegue captar. A irrelevância de uma esquina deserta nas ruas de Cuzco, a infimidade de um barco flutuando sobre o Titicaca: enfim, a estreiteza de sermos.

Nos aguarde mundo, você que nos olha de todos os lados: em 6 bilhões de faces distintias, em infinitos detalhes, no tudo que de tão pequeno esconde o segredo de estarmos. Quero abraçar um pedacinho maior de ti...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Para a vida

Esquecendo um pouco a tendenciosidade da matéria, histórias lindas que valem à pena serem registradas:
quinze minutos necessários e, se possível, vejam este vídeo até o fim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Amantes

Imensurável mundo
A sufocar sonhos sementes
Apaixonada vida
A transmutar-te ser presente
Desesperado medo
Do que em mim se faz distante
Inevitáveis nós:
A contemplarmo-nos amantes