A cada dia histórias completamente diferentes. Hoje, ainda de manha, estávamos a ver o azul marcante do Titicaca e o desenho que o barco deixava na superfície lisa da água. Apesar do sol, o frio nos abrigava sob os casacos. Havíamos dormido na casa de uma família em uma ilha deste que é o mais alto lago navegável do mundo. Tudo aqui é muito diferente. Diferente do que fizemos no Brasil, o povo é predominantemente - para nao dizer completamente - indígena. A terra é dividida por todos e nos únicos lugares que passamos e percebíamos grandes extensoes cultivadas a organizacao se dava por cooperativas. Há uma recompensa: nao tivemos imprevistos com ladroes e, na ilha que dormimos, nao havia policiais nem prefeitos - a comunidade se reúne todos os domingos para discutir as tarefas. Machu Picchu é algo inacreditável de modo que nem me atreverei a descrever a milésima parte de tudo aquilo, tentarei expressar pelas imagens que postarei depois
Quanto ao lado turista, somos a grande festa. Todos adoram os brasileiros e confesso que damos bastantes motivos para reforcar os esteriótipos. Cantamos, conversamos com todos e rimos a todo tempo: excecao até entre os próprios peruanos, um pouco mais fechados que nós aí da terrinha. Hoje mesmo todos bateram palmas e cantaram enquanto eu tocava gaita no barco que nos trazia de volta a Puno - a cidade peruana na beira do Titicaca, onde passaremos o natal. Afinal o natal! Enquanto atravessávamos o lago e eu via a beleza imensurável da paisagem, lembrei de todos que estao aí do outro lado do imenso lago de terra que nos separa. Amamos voces, e sim, há saudade. Feliz natal a todos e um abraco imenso.
PS: O teclado espanhol nos impoe limitacoes na acentuacao e grafia. aheuaheauhueau, todos estamos muito bem e contentes.